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© 2020 Cátia Peyroteo Guedes
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eCovid – O Vírus da Mudança

Quando no final do primeiro trimestre de 2020 a pandemia atinge Portugal, ninguém conseguia imaginar a reação em cadeia que o problema, inicialmente visto apenas como um problema de saúde publica, iria ter nas nossas vidas.

A mudança mais visível durante esses dias de estado de emergência foi o distanciamento físico, a restrição nas deslocações e o confinamento domiciliário. No entanto, para além destes aspetos mais mediáticos, a mudança de comportamentos alastrou a todos os aspetos das nossas vidas e funcionou como um estranho e inesperado catalisador de inovação.

A pandemia foi e é uma tragédia, mas vai ser responsável por nos próximos anos assistirmos a mudanças na sociedade que de outra forma demorariam décadas.

Mas o que mudou tão drasticamente?

Um dos aspetos mais falados em termos da mudança de comportamento do consumidor foi o aumento das compras online e da utilização de plataformas de e-commerce. Segundo um estudo do Grupo M realizado em Abril de 2020 e citado pelo Jornal Observador, este crescimento, situou-se em áreas como o retalho alimentar, entre os 40% e os 60% face ao ano anterior. É um valor interessante, mas pouco relevante para a maioria dos negócios de menor dimensão, pois este crescimento deve-se principalmente às grandes plataformas logísticas associadas aos supermercados.

Um valor muito mais interessante e que pode ter passado despercebido a muitos, tem origem no mesmo estudo e é citado no Jornal Expresso. Durante o mês de março, deu-se um crescimento de 513% ao nível das pesquisas para compras online.

É isto que nos deve fazer pensar ou repensar a forma como os pequenos negócios se devem posicionar desde já.

Os dias de confinamento chamaram a atenção para o papel do comércio local. Com as deslocações limitadas, o comércio de bairro teve a oportunidade de demonstrar a importância que tem para a sociedade por ter sido para muita gente a única solução viável para adquirir os bens que necessitava. Trata-se de uma vantagem ou um estado de graça que os pequenos negócios locais não se podem dar ao luxo de perder.

Os 513% de aumento na pesquisa para compras parece demonstrar que o consumidor se habituou a procurar online, mesmo quando o intuito é comprar presencialmente. Ou seja, os pequenos negócios têm de estar conscientes que é fundamental terem um “expositor” online daquilo que naturalmente mostram nas suas bancas e montras. Isto porque, um número crescente de clientes habituou-se a, ao dirigir-se fisicamente à loja, já ter uma ideia dos produtos e preços que espera encontrar.

Não são precisas plataformas complexas de e-commerce nem investimentos significativos, é preciso estar online, ser encontrado, divulgar o horário de funcionamento e comunicar os produtos existentes. Num país em que a 80,9% dos agregados familiares possui acesso à internet (dados INE 2019) esta é uma das mudanças de comportamento a que não se pode ficar alheio.

E neste contexto, o website cumpre o seu papel de pilar de toda uma presença online que depois pode ser complementada com redes sociais, com mecanismos de encomenda ou de compra online ou com agendamento de entregas ao domicílio.

Mas o primeiro passo da pequena mercearia do bairro é dar aos seus clientes e vizinhos a informação que eles precisam, podendo eventualmente ir crescendo na sua presença online em função das necessidades do seu público.

Mas afinal o que é preciso?

Na criação do website, o primeiro passo é identificar o que os clientes gostariam de saber, sem terem de sair de casa. Que informação é importante estar presente e para além disso, que informação precisa de ser atualizada regularmente, como produtos e preços.

Depois é preciso identificar o domínio, ou seja, o nome pela qual seria possível encontrar online, a nossa mercearia do Bairro. Um nome idêntico aos que utilizamos ao navegar na internet e que neste nosso exemplo poderia ser algo como: www.mercearia-do-bairro.pt.

Finalmente, contratar um especialista para desenvolver o website e auxiliar em todo o processo criativo. Na sua forma mais simples os custos de criação e lançamento de um website simples não ultrapassam os 300€ e pode permitir que a nossa mercearia esteja online em poucos dias.

O Covid-19 mudou as nossas vidas, mas revelou outras facetas do nosso mundo, da nossa sociedade e de nós próprios que eventualmente não estávamos à espera de encontrar.

Por isso, é também um vírus de mudança.

Fiquem bem, protejam-se, mas não fiquem imunes ao que a mudança pode trazer de bom.